É só de mim ou as palavras estão gastas?
Desde sempre consegui expressar os meus estados de espirito, os meus sentimentos saíam sem dificuldade para uma folha de papel. Escrevia textos e mais textos sobre tudo o que tinha para dizer ao mundo, mas que só eu lia. Hoje é diferente.. Cresci, aprendi a escrever melhor, estou mais culto e inteligente. Hoje compreendo de melhor forma tudo o que me rodeia. Hoje, não consigo expressar-me.
Sou só eu? Porra, tanta coisa para dizer.. e quando chega a hora da verdade, a hora do depoimento com vista a ser publicado.. nada parece fazer sentido nas frases escritas. Não existem mensagens nas palavras.. não existe aquele espírito que conseguia incluir em todos os meus textos.
Certo dia de aulas, a professora de português do meu 11º ano disse à turma para escrever um texto sobre o que nos apetecesse. Eu escrevi uma história qualquer sobre uma rapariga desconhecida que apareceu na praia, vinda do oceano. Não tive tempo de acabar o raio do romance, e quando tocou para sair, entreguei a folha com a história incompleta. No dia seguinte, no principio da aula, a professora disse que havia uma pessoa com muito talento na turma. Ela referia-se a mim. Pediu-me para ir ler o meu texto à frente de toda a turma. Como eu, toda a turma percebeu que o meu texto ficou incompleto.. não fazia qualquer sentido uma história acabar com: “Ela chamava-se Teresa.”. No entanto, ninguém comentou (eu incluido) esse facto e continuamos a aula. No fim, a senhora pergunta-me se eu tinha tempo para ela falar comigo. “Com todo o gosto.” digo eu num tom de lambe botas. Ela diz-me que eu podia aproveitar as minhas capacidades e escolher um curso de Literatura quando fosse tempo de ir para a faculdade. Disse-me que o texto transmitia muito mais do que aquilo que parecia, que tinha compreendido a minha mensagem, e que o fim era algo de excepcional so ao alcance de alguns profissionais.
O raio do texto ficou a meio, aquilo não era um fim!!! Transmitia mais do que aquilo que parecia? É que eu não quis transmitir nenhuma mensagem subliminar.. e compreendeu a minha mensagem? Então foi a única, porque nem eu consegui la espetar nenhuma mensagem a não ser: “Uma rapariga apareceu no meio da praia, vinda do oceano e chamava-se Teresa.” O texto ocupava 1 página e meia, e podia ser apenas resumida nisto! Era dos piores textos escritos no planeta, com montes e montes de descrições parvas como: “A areia da praia era amarela”.. e vem-me dizer que aquilo é uma obra-prima?
Hoje, que tento escrever obras-primas, cheias de mensagens escondidas e com fins realmente interessantes.. o que me sai são frases sem um espírito. Não passam de palavras soltas, que apenas têm como significado, aquele que se encontra num dicionário.
Terei de voltar a deixar os textos a meio?

Bem.. depois de uma história realmente secante, que ninguém leu até ao fim.. procurando por um parágrafo com o pensamento: “Porra quando é que ele muda de assunto? Se não encontrar um parágrafo em 5 segundos, fecho a página!”. Altoo aí, cá está, o belo do parágrafo🙂.
Como eu dizia, depois desta história linda cheia e emoção, mudo de assunto e é aqui que as surpresas acontecem.
Não me tenho baldado a uma única aula da faculdade. E não é que resulta mesmo? Hoje, até já consegui fazer 1 exercício dos 50 que o stor de Análise Matemática mete no quadro!!! Estou finalmente a ficar responsável. Até já começo a estudar uma semana antes dos testes.
Mas o triste disto tudo, é que não chega. Pelo menos neste curso… Ir a todas as aulas é o mesmo que ir a nenhuma. Porque quando se vai fica-se a apanhar do ar! Completamente! E estudar uma semana antes de um teste, é o mesmo que tentar ler o dicionário da lingua portuguesa em 5 minutos. Ou seja, não nos vai servir de nada! Aqui, temos de estudar quase todos os dias ou arriscamos a ficar com o semestre todo para trás, que é o que me vai acontecer.. Outra vez..
Enfim.. hei-de ficar ainda mais responsável para o ano, e talvez aí, comece a conseguir ler dicionários em 5 minutos.

Mais um parágrafo.
Desta feita para dizer que vou dormir dentro de poucos minutos. O sono apodera-se dos dedos, o que faz com que comece a escrever realmente devagar. O raciocinio, esse, já quase inexistente.. consegue ser ainda mais lento que os dedos tornando a missão destes mais facilitada.

Vou inaugurar a “Quote do dia” no blog. Aqui fica a de hoje:
“It’s not that I’m so smart, it’s just that I stay with problems longer.”
Albert Einstein